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A Ferrovia Curitiba -
Paranaguá começou a ser feita em 1880 e levou mais de cinco anos até
ser concluída. Era uma obra extraordinária para os padrões da época e, até
acabar, era motivo de descrença dos melhores engenheiros estrangeiros do mundo,
pois achavam impossível fazer uma estrada de ferro nesse trecho. Justamente um grupo de engenheiros brasileiros transformou o projeto
em realidade, executando verdadeiras proezas arquitetônicas para que a Ferrovia
pudesse ser construída.
A obra era necessária
para transportar as mercadorias que chegavam nos portos de Paranaguá e Antonina até a região de Curitiba. Quando os navios
ancoravam na região, as mercadorias tinham de seguir pelo rio Nhundiaquara em
embarcações menores até a cidade de Morretes, onde ficava o Porto de
Cima. De lá, todos os produtos eram colocados no
lombo de mulas e transportados até Curitiba em trilhas pela Mata
Atlântica.
Eram gastos pelo
menos quatro dias para o carregamento sair do porto e chegar até a
capital. Tanta dificuldade e também a pressão dos grandes agricultores locais,
que desejavam agilizar o transporte de grãos para movimentar o comércio na
região, serviram de estímulo aos trabalhadores e aos engenheiros.
Nove mil homens foram
empregados para se revezar nas jornadas de trabalho para a construção da Ferrovia Curitiba - Paranaguá, que possui 110 quilômetros de
extensão. Apesar da abolição da escravidão ainda não ter sido
realizada até o início das obras, em 1880, o trabalho escravo não foi usado na
construção da Ferrovia Curitiba - Paranaguá. Os empregados eram na maioria
imigrantes de origem européia e alguns africanos, além de agricultores que
abandonaram o campo para tentar a sorte em Curitiba e em povoados das regiões
litorâneas do Paraná. No início de 1885, a
Ferrovia foi enfim inaugurada. O primeiro trem deixou Paranaguá às 10h
lotado de figuras ilustres da sociedade, chegando em Curitiba às 19h.
Nos 110 quilômetros de
ferrovia há obras ousadas de engenharia, especialmente os túneis, as pontes e os
viadutos, que são as pistas elevadas. Entre os trechos mais impressionantes da
estrada de ferro está o Viaduto Carvalho, construído sobre pilares de
alvenaria. O trecho dá aos turistas a sensação estar voando, porque a estrada
faz uma curva e os passageiros podem apreciar a beleza da serra.
O mais interessante é
que o Viaduto Carvalho não estava previsto no projeto original e foi construído
por acaso. O engenheiro responsável pelo trecho da obra esperava
construir um túnel, porém ele exagerou na quantidade de dinamite que deveria ser
usada para esburacar a rocha e acabou explodindo demais o paredão. Como seria
impossível fazer um túnel, ele teve de adaptar o projeto e fazer o Viaduto, que
hoje é uma das grandes atrações do trajeto.
Mais um ponto
importante da Ferrovia é a Ponte São João, que passa à altura de 55 metros acima
do vale e liga uma montanha à outra. A ponte é dividida em quatro vãos que somam
110 metros de extensão. Atualmente, ela possui alguns
reforços, porque a quantidade de carga que passa por lá é muito grande: cerca de
20 toneladas por dia. Quando foi construída, o trânsito de mercadorias alcançava
a marca de 20 toneladas somente ao final de um ano.
Não é à toa que hoje o
Porto de Paranaguá é o maior exportador de grãos do País. É justamente através
da estrada de ferro que ocorre o escoamento das mercadorias. Além dos trens de
carga, a Ferrovia Curitiba - Paranaguá possui também o trem de turismo,
fundamental para mostrar ao visitante a beleza do lugar e também tornar
conhecida uma parte importante da história do Brasil.
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