|
Na terra do cacau, um dos maiores atrativos é
conhecer como funciona a produção do chocolate, desde os cuidados com a lavoura
até a total industrialização do fruto e seus produtos. Todo o processo pode ser
acompanhado pelos turistas que visitam o Ceplac, Comissão Executiva do Plano da
Lavoura Cacaueira, um órgão federal vinculado ao Ministério da Agricultura que
existe desde 1957.
O objetivo do
Ceplac é fomentar a pesquisa para combater as pragas do cacaueiro e, por causa
das descobertas da instituição, os produtores de cacau conseguiram controlar a
Vassoura de Bruxa, uma doença que atacou os cacaueiros em 1989.
O visitante que
chega hoje ao Departamento de Relações Públicas do Ceplac primeiro assiste a um
filme, onde são mostradas as diversas fases da produção do chocolate. Depois de
tomarem bebidas preparadas com cacau, os turistas partem então para a visitação.
Na primeira parada, os
turistas ficam sabendo como são produzidos os cacaueiros resistentes
à Vassoura de Bruxa. As plantas que não foram atingidas pela praga são usadas
para criar os "clones". São feitos enxertos nas árvores doentes através de
pequenos galhos, as gemas, que são retirados da casca das árvores saudáveis.
O enxerto não
altera a qualidade ou a produtividade da planta. Ao contrário, até melhora seu
desenvolvimento, pois as mudas sadias demoram menos tempo para crescer e levam
apenas um ano para começar a produzir, quando é comum levarem em média três
anos.
A produção do chocolate tem
início ainda na roça. O cacau é quebrado e as amêndoas úmidas vão para um coxo
de fermentação. Esse processo é necessário para dar aroma e sabor ao chocolate
antes da secagem. Depois, as amêndoas vão para as barcaças, onde permanecem
secando.
Barcaça é o nome dado a
enormes estruturas de metal, que cobrem as amêndoas que ficam espalhadas sobre
uma superfície de madeira. Durante o dia, as barcaças são abertas para que elas
possam secar ao sol, enquanto os lavradores revolvem as amêndoas com os pés. À
noite, as estruturas de metal voltam a cobrir as sementes para protegê-las do
sereno.
Quando a semente está bem seca, elas são
trituradas e colocadas em uma máquina, em que é produzida uma massa chamada
liquor. Em seguida, o liquor é colocado em uma máquina aquecida, onde a manteiga
de cacau é separada do resto da substância. A manteiga de cacau é uma das partes
mais nobres do fruto, usada pela indústria cosmética e para a fabricação do
chocolate branco.
Na fábrica do Ceplac,
o turista vê de perto como é produzido o chocolate que é comercializado. A massa
é batida com leite e açúcar, além de outros ingredientes, entre eles a gordura
hidrogenada. O chocolate do Ceplac possui o equivalente a 56% de cacau a cada 100 gramas,
enquanto o produto tradicional vendido por grandes empresas possui no máximo 6%
de cacau. O resto é gordura hidrogenada, que funciona como um conservante
natural.
O cacau é vendido por arrobas e cada medida
possui 15 quilos. Em média, quatro arrobas de cacau custam R$ 250,00. O
fazendeiro de cacau vende apenas as amêndoas, mas a proposta do Ceplac é
justamente orientar os produtores para que avancem no processo de
industrialização, já que o preço do chocolate puro é bem maior.
Os turistas que pretendem conhecer o Ceplac
e o processo de transformação do cacau em chocolate devem acordar cedo. As
visitas têm de ser iniciadas entre 8h30 e 10h30. O Departamento de Relações
Públicas do Ceplac fica na Rodovia Ilhéus - Itabuna, Km-22. Tel: (73) 3214-3014/3016/3013.
|