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Igreja da antiga Redução de
São Miguel Arcanjo

As construções ficavam ao redor da
praça, inclusive as casas dos índios |
Considerada a principal construção encontrada nos Sete Povos das Missões, a igreja
da Redução de São Miguel Arcanjo começou a ser erguida em 1735 e foi finalizada somente em 1745. A obra foi idealizada pelo arquiteto italiano
João Batista Primolli, o mesmo que também construiu o templo de San Ignácio Mini alguns anos antes. Acredita-se que o projeto tenha sido
inspirado na igreja central da Ordem dos Jesuítas, a Igreja de Gesú de Roma.
Exatamente como em outras Reduções, a igreja foi construída voltada para o norte.
Seguindo um estilo renascentista, tinha três naves e cinco altares, onde ficavam imagens sacras esculpidas pelos próprios índios. As estátuas
podiam ser de madeira ou pedra e muitas pertencem hoje ao acervo do Museu das Missões. As igrejas missioneiras eram ricas em adornos internos e
as paredes eram pintadas com motivos sacros.
A exemplo das construções de San Ignácio Mini, na Argentina, e de Trinidad, no
Paraguai, o santuário de São Miguel foi erguido com vigas de madeira e grandes blocos de pedras encaixados uns sobre os outros. Para compor os
edifícios, as pedras eram branqueadas com uma argila chamada tabatinga e fixadas com barro.
A igreja possuía 70 metros de comprimento e 30 de largura, com teto de telhas de
barro sustentado por vigas de madeira. Ao contrário de outros templos em Reduções vizinhas, a fachada da igreja de São Miguel permanece intacta
até hoje. Com 20 metros de altura, diferencia-se pela ausência dos detalhes vistos em outras construções.
Curiosamente, a igreja foi destruída pelos próprios índios que viviam na Redução.
Em meados de 1750, os exércitos português e espanhol chegaram à região para confirmar a nova demarcação de terras entre as duas nações, seguindo
o Tratado de Madri. Ao fugirem, os indígenas colocaram fogo na igreja, o que destruiu a estrutura de madeira.
A torre, situada no lado direito da frontaria, tem 25 metros e abrigava cinco
sinos - um deles está no Museu das Missões. A torre foi demolida em 1939 e reconstruída com as pedras colocadas nos mesmos lugares. Na época,
a estrutura ameaçava ruir, então teve de ser restaurada.
Os aposentos dos padres ficavam à direita da igreja e conservam até hoje os pisos
originais. Na frente destas ruínas estão resquícios do que era a prisão, a cozinha, o colégio, o armazéns e as oficinas. Já à esquerda da igreja
estão as ruínas do hospital, da casa de recolhimento de viúvas e do cemitério, do qual sobrou apenas o muro.
Os edifícios, inclusive as casas destinadas aos indígenas, cercavam a praça, que
era o centro da comunidade. A vila era separada em ruas, porém todas partiam do mesmo local. Todas as construções eram circundadas por
avarandados, o que permitia a circulação coberta em toda a vila. |