| Nova Petrópolis - História |
A "Colônia Provincial de Nova Petrópolis" possui
características topográficas e naturais muito parecidas com a cidade de
Petrópolis, no Estado do Rio de Janeiro, onde o Imperador D. Pedro II e sua
família costumavam passar férias. Devido a isto, seu nome é uma analogia a tal
cidade. Localizada entre os rios Caí e Cadeia, abrangendo parte da encosta
nordeste da Serra Gaúcha, encontrava-se numa área supostamente aproveitável para
agricultura, a qual estava encoberta por uma floresta predominantemente de
madeira de lei, como o cedro, louro e ipê, além das araucárias nos planos mais
elevados.
A cidade foi fundada em 7 de setembro de 1858, mas
seu primeiros habitantes chegaram muitos anos antes. Eles eram, em sua maioria,
filhos de imigrantes mais antigos, procedentes de "Linha Nova", os quais
procuravam ocupar a região de "Linha Olinda" em direção ao "Statdplatz" (antiga
Nova Petrópolis), buscando novas terras para plantar e constituir família. Os
novos imigrantes europeus começaram a chegar após a Revolução Farroupilha, em
1858.
Os primeiro foram os alemãs, procedentes das
cidades de "Hunsrrueck" (Reno-Mosel), Pomerânea, Prússia e Saxônia. Seguidos
pelos "bohêmios", vindos do Império Austro Húngaro. E posteriormente chegaram os
italianos, instalando-se na outra margem do Rio Caí fundando a comunidade de
Pedancino. Além destes imigrantes merecem destaque a tentativa de fixação de
irlandeses, fugindo da Guerra Civil dos Estados Unidos, dos franceses e
holandeses, vindos das regiões limítrofes da Alemanha, além de famílias russas e
polonesas.
Politicamente a colônia pertencia ao
Município de São Leopoldo, mas sua administração coube a "Diretores" diretamente
sujeitos a autoridade do Governo Provincial do Rio Grande do Sul. Este guardava
grande expectativa da "Colônia de Nova Petrópolis" e inicialmente não mediu
esforços para alcançar seus objetivos. Afinal, este projeto se destinava a ligar
definitivamente as "Vacarias de Cima da Serra" com as regiões mais povoadas da
capital. Mas esta miscigenação de cultura foi a grande responsável,
inicialmente, por atravancar o processo de desenvolvimento do local.
Pela procedência dos mais diversos lugares da
Europa, a não existência de grupos homogêneos tornou-se um problema. Eram
imigrantes com religiões diferentes, que falavam diversos dialetos, com
experiência e níveis culturais também diferentes. Poucos tinham as mesmas
tradições e os mesmos costumes. Além disso, grande parte deles procediam de
regiões rivais, se não inimigas, na própria pátria de origem. Elementos tão
heterogêneos requeriam, além da adaptação ao novo ambiente, o entrosamento entre
eles próprios.
Os problemas eram tão graves que o pastor
evangélico, Dr. Borchard, enviado pela Igreja Alemã para visitar as colônias no
Brasil referiu-se desta maneira a situação: "(...) em nenhuma parte vi tanta
corrupção religiosa e moral, apesar de que em outra parte também existia muita
depravação. Mas também em nenhum outro lugar encontrei tantas almas carentes do
evangelho como nesta massa embrutecida (...)".
Os diretores Bartholomay e Albrecht Wilhelm Sellin,
foram os grandes responsáveis por organizar a colônia. O primeiro dividiu
fisicamente as diferentes etnias e abriu estradas para a comunicação com o
mundo. Já o segundo, considerado o melhor dos diretores, implantou a primeira
serraria e conseguiu restabelecer os princípios éticos e morais que haviam se
perdido. Com isso, o local onde hoje se encontra Nova Petrópolis ficou
praticamente para os alemães e nas redondezas instalaram-se os outros
imigrantes.
Desta forma o vilarejo tomou forma e passou a
crescer de maneira coesa durante a primeira metade do século 20. Tanto é que em
1902 foi fundada a primeira cooperativismo de crédito no Brasil e em toda a
América Latina. De origem suíça, o Padre Theodor Amstad foi o grande
impulsionador. A cooperativa funcionava no sistema "Reifeisen". Mas na década de
1930 a população local começou a se envolver na política e, com o Golpe de
Estado de Getúlio Vargas, em 1937 e o início da I Guerra Mundial, a ditadura do
Estado Novo usou e abusou da repressão policial, por considerar o vilarejo um
reduto alemão e italiano muito forte no Brasil.
Anos mais tarde, com a ordem e os direitos humanos
restabelecidos, Nova Petrópolis obteve sua emancipação, em 1954, e a cidade
voltou a vida normal, conseguindo desenvolver-se harmonicamente em diferentes
áreas, como na agricultura de minifúndio aperfeiçoada por técnicas modernas; na
indústrias coureiro-calçadista, de malhas, móveis, metalurgia e máquinas e no
comércio e serviços com o crescimento do turismo e hotelaria.
O turismo está estabelecido nas tradições
culturais mantidas vivas pelos grupos folclóricos e sociedades culturais do
município. Além disto, as belezas da Serra Gaúcha, a excelência do clima e a
condição do município de ser uma verdadeira "encruzilhada" para as regiões da
uva e do vinho e das hortências, são fatores importantíssimos para o seu
incremento. Assim, Nova Petrópolis, com seu passado e seu presente, tem
condições de esperar um futuro radioso.
|