A Rua Portugal é uma das mais antigas do Centro Histórico de São Luís |
São Luís está localizada em uma ilha que, no início da colonização, era habitada
por índios tupinambás. Em 1535, havia apenas um pequeno povoado que resistia bravamente aos ataques indígenas.
Logo no início do século XVII, os franceses chegaram à região e, em 1612, fundaram
São Luís. Porém, a cidade permaneceu apenas três anos sob o domínio da França, quando foi então retomada pelos colonizadores. Na época em que os
franceses foram expulsos, em 1615, os portugueses construíram fortalezas para defender o território.
No entanto, os fortes não impediram uma nova invasão à cidade, desta vez por tropas
holandesas comandadas por Maurício de Nassau, entre 1641 e 1644, até serem expulsos. Portugal investiu então na colonização da região com o
estabelecimento da Companhia de Comércio do Estado do Maranhão. Eram cultivados cacau, tabaco e cana para exportação e, no século XVIII, com a
Guerra da Secessão nos Estados Unidos, o Maranhão também passou a fornecer algodão para a Inglaterra, o que promoveu o desenvolvimento do Porto
de São Luís.
O centro histórico de São Luís reúne cerca de 4 mil imóveis tombados, remanescentes
do período entre os séculos XVII e XIX. São sobrados e palacetes simples e regulares, que ocupam quarteirões quadrangulares delimitados por ruas
estreitas. Pertenciam aos fazendeiros de algodão e são índices do apogeu econômico alcançado pela cidade. A maioria das residências possuía uma
área destinada ao comércio, que geralmente ficava localizada no térreo.
A partir do século XVII, os portugueses passaram a forrar as casas com azulejos
para amenizar o calor. As peças de cerâmica eram pintadas à mão e geralmente tinham detalhes em alto relevo. São Luís ganhou chafarizes com água
potável e escoamento de esgoto em 1755 e, a partir de 1780, houve uma completa urbanização da cidade, com a construção de praças.
A prosperidade econômica durou cerca de um século, até a escravidão ser abolida e
os Estados Unidos voltarem a produzir. A agricultura foi cedendo lugar à indústria têxtil, que encontrou mão-de-obra e matéria prima barata.
Cerca de 30 fábricas foram abertas na cidade, porém não demoraram para falir.
No século XX, o Maranhão viveu um longo período de estagnação econômica,
principalmente a partir da década de 1930, o que em parte contribuiu para a preservação do patrimônio histórico. Além de ser tombado pelo
Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o IPHAN, o centro histórico de São Luís também é considerado Patrimônio Cultural da
Humanidade pela Unesco. |